Os dons espirituais são poderes ou graças que o Espírito Santo confere aos servos de Deus para a edificação da Igreja (Hb 2.4 e 1Pe 4.10). A manifestação dos dons na vida do crente é a confirmação do “Batismo do Espírito Santo”. Esses dons são objetos de predições no Antigo Testamento, como em Isaías 35.4-6 (“Digam aos desanimados: ‘Não tenham medo; animem-se, pois o nosso Deus está aqui. Ele vem para nos salvar; ele vem para castigar os nossos inimigos.’ Então os cegos verão, os surdos ouvirão, os aleijados pularão e dançarão, e os mudos cantarão de alegria. Pois fontes brotarão no deserto e rios correrão pelas terras secas.”) e em Joel 2.28-29 (“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.”).
Os dons são de diferentes espécies (“Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de servir, mas o Senhor que servimos é o mesmo. Há diferentes habilidades para realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um a habilidade para fazê-lo.” 1Co 12.4-6). Paulo enumera alguns deles (“Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta, faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.” Rm 12.6-8 e “Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las… Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.” 1Co 12.8-10; 14.1). Contudo, o Espírito Santo é livre e não se restringe à relação deixada pelo apóstolo; novas formas de ação surgem ao longo da história do povo eleito.
O Senhor Jesus possuía os dons e os usava para a edificação da multidão que O seguia (“Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” Mt 12.28). Este exemplo deve ser observado pelos servos agraciados, pois os talentos espirituais não são para a glória do homem, mas para a edificação do Reino de Deus, através da manifestação do poder e da autoridade divina.
A primeira referência do derramamento do Espírito sobre a Igreja está em Atos 2.1-4 (“Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho que parecia o de um vento soprando muito forte, e esse barulho encheu toda a casa onde estavam sentados. Então todos viram coisas parecidas com chamas que se espalharam como línguas de fogo, e cada pessoa foi tocada por uma dessas línguas. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa.”). É no Pentecostes que o dom do Espírito Santo permite a todos os apóstolos falarem em outras línguas, sendo entendidos por pessoas de diferentes países.
É inadmissível a rejeição do Batismo no Espírito Santo, bem como dos dons. A Palavra é clara em sua explanação, não deixando margem para dúvidas. Afirmar que os dons do Espírito ficaram restritos ao Pentecostes é uma heresia, pois essa tese contraria todas as cartas paulinas, que foram escritas em datas posteriores ao Pentecostes. A conversão de Paulo ocorreu por volta do ano 37 d.C., sete anos após a descida do Espírito Santo no Pentecostes (30 d.C.).
O Dom de Línguas: Os dons são diversos e todos eles úteis à edificação da Igreja. O dom de línguas é visto por algumas denominações como o único sinal do “Batismo no Espírito” (se não falas em línguas, não és batizado!), o que é um entendimento errôneo, sem base bíblica. O principal texto utilizado para comprovar essa tese é o que descreve o Pentecostes; no entanto, as línguas ali faladas não eram estranhas ou de anjos, mas sim idiomas regionais. Falar em línguas, em algumas vidas, realmente é a confirmação do enchimento com o Espírito, mas não se pode generalizar.
O Batismo do Espírito só é possível em vidas que cultivam a santidade (“Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” 2Co 7.1). A condição de santos é imposta a todos que desejam viver na presença do Senhor; estes estão habilitados a receber os dons reservados, não especificamente línguas. As vidas que produzem os frutos da carne (Gl 5.19-21) estão em pecado, afastadas de Deus e incapacitadas de serem usadas pelo Espírito Santo. Se falam em línguas, profetizam etc., provavelmente são movidas pelo espírito de engano.
a) Línguas: Sinal da graça de Deus (At 10.44 e 19.6)
É possível contemplar a graça de Deus na vida do homem de diversas formas. Quando vemos alguém dobrado diante do Trono, louvando em línguas, isso é maravilhoso; edifica a vida de todos e com certeza sobe como “aroma agradável” às narinas do Pai. O dom de línguas é a forma mais pura de louvor e adoração, pois é o próprio Espírito que se apresenta diante do Eterno Rei.
b) Línguas: Não é o dom mais importante (1Co 12.4-11 e 1Co 14)
Paulo, escrevendo aos de Corinto, afirma: “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós.” Essas palavras testificam a profunda comunhão e intimidade com o Espírito; no entanto, ele não exalta este dom. Pelo contrário, procura instruir a Igreja no uso correto, afirmando que o falar em línguas é para edificação pessoal. Ao descrever os dons por importância, situou o de línguas entre os menores. Não há motivos ou fundamentos para que essa realidade seja invertida em nossos dias.
c) Línguas: Não é sinal de Batismo (At 2.1-13, 1Co 14 e 1Co 12.4-11)
É comum entre os pentecostais a afirmação: “Só é batizado no Espírito se falar em línguas!” Não há textos na Bíblia que sejam taxativos sobre essa questão; os usados para justificar essa tese não são suficientemente claros. A principal base para essa afirmação é o relato do Pentecostes (At 2.8-11); no entanto, se observado mais detidamente, conclui-se que não foram línguas estranhas ou de anjos, mas sim idiomas falados por homens de diversas nações que se encontravam reunidos ali.
Existem igrejas pentecostais que exigem como prova ou confirmação do Batismo no Espírito o falar em línguas, e essa obrigação tem produzido situações constrangedoras. Imagine: uma vida santa, pura e reta, mas que não possui o dom de línguas, apenas outro dom. Essa pessoa será sempre vista como alguém que não tem verdadeiramente o Espírito. Por outro lado, há também aqueles que, levando uma vida fora dos padrões de Deus, decoram algumas expressões e começam a repeti-las; provavelmente serão vistos por todos como cheios do Espírito, quando, na verdade, o que opera em tais vidas é, com certeza, o espírito de engano. Não esqueçam: o Senhor não usa vasos quebrados ou imundos! É necessário viver em santidade para ser instrumento do Senhor.
d) Línguas: Na Igreja, com ordem (1Co 14.27-33)
As tradições existentes dentro das igrejas possuem raízes profundas, fortes o suficiente para contestar os ensinamentos bíblicos. Com relação ao dom de línguas, observa-se que em muitos “arraiais” as orientações do apóstolo Paulo não são seguidas corretamente. As tradições estão em primeiro lugar. Falar em línguas não torna o homem santo, como muitos pensam; viver a vontade de Deus é o que faz o homem ser santo. O uso do dom de línguas na Igreja é objeto de extensa orientação, cuidadosamente descrita, exatamente para que os erros comuns hoje não prevaleçam. É preciso ler a Palavra e deixar que o Espírito de Deus a imprima em nossos corações como regra de fé e prática.
Infelizmente, constata-se que a zelosa palavra do apóstolo não é observada como digna de crédito e uma espécie de desordem toma lugar no culto. É evidente que o culto deve ser alegre, uma expressão de amor e gratidão ao Eterno, mas algumas determinações deixadas pelo próprio Deus não podem ser desconsideradas. Vivemos os últimos tempos, dias em que o Espírito está sendo derramado de uma forma jamais vista na história da humanidade. Porém, para fazer parte desse mover, é preciso conhecer o Senhor. Santidade e pureza são condições que nos habilitam a sermos instrumentos úteis nas mãos do Deus Vivo. Sejamos, portanto, santos!
O verdadeiro servo, o homem cheio do Espírito, deixa-se levar pelo mover real, buscando observar as determinações de Deus para o bom andamento da Igreja. Eu creio e aceito os dons sem exceções, inclusive, a igreja à qual sou membro é totalmente direcionada pelo Espírito de Deus, que, através de seus profetas (usados em profecias, visões, sonhos etc.), determina a forma de agir.
Pr. Elias Rios